Concerto Para Tuba e Orquestra

Sérgio Carolino – tuba Pedro Ribeiro – oboé

CONCERTO PARA TUBA E ORQUESTRA
1 – Allegro Assai
2 – Lento
3 – Allegro Assai
CONCERTO PARA OBOÉ E ORQUESTRA DE CORDAS
4 – Allegro Vivace
5 – Andante
6 – Presto
7 – DIVERTIMENTO PARA ORQUESTRA

“A Tuba é um instrumento com uma sonoridade poderosa, mas jamais estridente, do mesmo modo que também não pussiu um timbre que se possa considerar perfurante, como é o caso muito específico do Oboé. Assim, a Tuba possui características que fortalecem e dão amplitude ao tutti da orquestra, mas sem que tal implique uma tendência natural para sobressair. De facto, a Tuba serve na maioria dos casos para valorizar, mas só raramente se valoriza a si própria, muito ao contrario so Oboé, que é um instrumento especialmente vocacionado para apresentar e tornar perceptível qualquer passagem melódica. O contraste entre a Tuba e o Oboé é flagrante – e não foi por acaso que escolhi para este disco, os meus Concertos para dois instrumentos, dois timbres e duas formas de espressão Sonora que sempre me fascinaram muito especialmente. A ideia de Concerto associa-se automaticamente à ideia de solista, à exaltação das potencialidades de um instrumento, ao brilho de efeitos que até já poderão entrar por certos terrenos do malabarismo. Ora, nada disto é óbvio no discurso estético e musical habitualmente atribuído à Tuba, conquanto aquilo que um artista como Sérgio Carolino consegue extrair do seu instrumento seja algo de transcendente em termos de virtuosismo. E é evidente que, ao escrever a obra para um tal solista, eu tive tudo isso em conta… Contudo, nem por isso me afastei da ideia de que o carácter mais autêntico da Tuba assenta na suas generosa capacidade de valorizar o conjunto. Na composição do Concerto para Oboé e orquestra de cordas, também tive em conta as prodigiosas capacidades técnicas e expressivas do Pedro Ribeiro, a quem a peça é igualmente dedicada. E neste caso, o auditor confrontar-se-á com a linguagem de um instrumento particularmente dominador que assume do princípio ao fim as responsabilidades dos discurso. Assim, no Concerto de Tuba, a orquestração é particularmente carregada, salientando-se aqui e além, a sonoridade de um saxofone, escolhida não por acaso, pois é um instrumento naturalmente expansivo – quase exibicionista na sua procura Sonora…-, que estabelece um permanente contraste com o carácter nobre e quase sempre discreto da Tuba, mesmo quando esta efectua passagens de uma dificuldade técnica já nas raias do inimaginável… Pelo contrario, o Oboé comanda praticamente sempre a mensagem musical da obra, o que me levou a considerar que a extraordinária flexibilidade do quinteto de cordas, aliada à natural expansividade do instrumento solista bastariam para conferir à partitura um sinfonismo que não ficará muito aquém daquele que caracteriza o Concerto de Tuba. Por outro lado, procurei contrabalançar a natural sobriedade e discrição expressive da Tuba com uma linguagem musical particularmente colorida, sem temer qualquer assumida aproximação, aqui e além, à atmosfera estética da música de cinema ou mesmo do musical. Contrariamente, obedecendo a um certo princípio das compensações, a linguagem estética do Concerto de Oboé tem características muito mais clássicas ou mesmo mais severas. De facto, nunca sera demais insistir em que, a despeito de levar muito em conta a importância da crítica e de compor iniludivelmente para um público que me irá julgar – sendo de todo contrario aos critérios daqueles que dizem escrever “para si próprios”… – nem por isso deixo de fazer sempre aquilo que eu quero, e só aquilo que eu quero, por achar que também sera o que mais se ajusta às circunstâncias do momento e à filosofia da obra. É esse o espírito que preside, muito naturalmente, ao “Divertimento”, que me foi encomendado por Miguel Graça Moura para a Orquestra Metropolitana, que ele acabara de criar e desenvolver. A própria expressão divertimento sugere uma quase total liberdade de acção criativa, uma forma de o compositor poder brincar, aceite-se a expressão, com a multiplicidade dos sons, dos timbres e consequentes atmosferas emocionais obtidas com uma orquestra. Mas, tal como acontece naquela época da nossa vida em que somos efectivamente mais autênticos, brincar é algo que se leva muito a sério.”
António Victorino D’Almeida


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